17/09/2009

Até em silêncio









Mãe, café, infância, costura"...
Objetos vistos em silêncio sussurram palavras e entrelinhas, referências e campos de memória. O Curso Mundo Língua Palavra realizado na manhã de 12 de setembro de 2009 contou com a participação de 19 educadores ligados a várias instituições de São Paulo.
A proposta é, como sempre, "vivenciar" a visita ao Museu da Língua Portuguesa com intuito de reconhecer potencialidades para o desenvolvimento de um trabalho educativo antes, durante e depois da visita. Isso inclui saber das dificuldades: como lidar com o som, com o espaço refrigerado do museu, e, principalmente, como concretizar um foco de aproveitamento, sem, necessariamente, tornar a tarefa "pesada" para o visitante.
Aliás, entre as conclusões, encontramos, justamente esse foco de "degustação" lúdica e criativa ao lidar com o acervo imaterial.
Agradecemos a todos a presença, a disponibilidade, a paciência e atenção carinhosa durante toda a visita.
Que este diálogo continue!

Rita Braga
Educadora

Fotos da Educadora Maíra Caiuby

18/08/2009

A palavra do dia: "diálogo"


A realização do curso Mundo Língua Palavra se deu mais uma vez de forma agradável e com novas reflexões. Dessa vez, éramos todas mulheres, e cada uma das participantes se apresentou com uma “palavra pessoal” (além do nome – que é nossa “palavra distintiva” no mundo). Foi um encontro lúdico e ampliador de entrelinhas.
A grande lista de espera e a presença de 17 (dezessete) participantes comprovam o interesse do professorado, e dos profissionais da área de educação em geral, por ações que “aproximem” escola e museu, também no que diz respeito ao aproveitamento do conteúdo antes e depois da visita. Profissionais das áreas de informática e psicologia também colaboraram expondo seus repertórios pessoais entre os grupos.
Durante a vivência, vários temas surgiram. Entre eles, as dificuldades para agendamento e a má fé de algumas agências que alegam ter horários “garantidos” no museu, mas, pela falta de senhas para o terceiro andar, logo se percebe a irresponsabilidade de alguns. As dúvidas a esse respeito foram esclarecidas, e pelo que se vê nas fichas de aproveitamento, houve uma sensibilização geral no que se refere à necessidade de uma preparação responsável para a visita.
Houve propostas de incorporação dos elementos sensoriais às interpretações de poemas em sala, abertura à pesquisa da fala cotidiana para traçar paralelos com a poesia e até uma proposta de agregar “tecnologia e língua” com um “beco das palavras” ou uma “praça da língua” nas aulas de informática da escola.
Enfim, várias propostas de atividades foram oferecidas e outras foram despertadas entre as educadoras participantes. Mais um passo da palavra ao diálogo – mais um contato a ser multiplicado em projetos e realizações.
Muito obrigada a todas.

Rita Braga
Educadora

22/06/2009

Curso Mundo-Língua-Palavra de 06 de junho de 2009

Mês de junho, final do primeiro semestre, um grupo pequeno participou dessa edição do Curso.



O encontro teve início na própria sala do Educativo.


De lá, partimos para a transformação do olhar de cada visitante.

Língua, pessoa, integradora e transformação foram as palavras que os uniram no encontro.
Resultado bastante positivo conforme se pode ver nos registros que seguem.




Cada professor realizou sua identificação na linha do tempo.
Fernando fez par com Guimarães Rosa.




Eddie e Maria se encontraram em Arapiraca.



Maria Lourdes com a influência dos meios de comunicação como a TV.


No primeiro andar, o francês em todos os sentidos no Brasil reuniu o grupo entre o existencialismo de Sartre e o tropicalismo de Caetano Veloso.



A despedida é sempre um momento feliz com a concretização da experiência que se leva do encontro.


Mais uma vez, nossa língua nos une: MLP e Escola.





04/06/2009

O que é ser educador

O que é ser educador?

Quando visitamos museus, é comum observar grupos de pessoas em volta de um ser que não para de tagarelar: aqui é isso, aqui é aquilo. Em um primeiro contato, parece um simples guia; porém, se olhar com atenção verá que o educador se parece mais com:
  • Um artista, que incorpora os personagens - seja histórico ou literário - para que todos entrem no mundo do museu.
  • Um malabarista, que faz de tudo para que a visita surpreenda.
  • Um mágico, que das exposições faz surgir coisas que talvez a gente nem notasse.
  • Um professor, que quer passar o que aprendeu.
  • Um aluno, que aprende junto.
  • Um humano, que nunca se cansa de ver coisas novas!
Acompanhei em uma visita um jovem surdo. Minha fluência em libras ainda é fraquíssima, porém, já dá para conversar. Conversa vai, conversa vem, e a primeira coisa que o visitante me diz é que não gosta do português.Compreensível, já que muitas vezes o português entra na vida da comunidade surda por uma imposição dos ouvintes; sem sentido, sem paixão.
O que fazer? No curso de pós-graduação em EDAC (educação do deficiente em audio-comunicação - nome esquisito!) temos uma matéria que se chama o ensino de português para o surdo; basicamente como se ensinar português.Como sou historiadora, essa matéria nunca me fez sentido; até esse momento. Na visita, mesclei a história da Língua Portuguesa e a Hitória da educação dos surdos, até chegarmos na imposição do português como lingua oficial do país, feita por D. João VI.Não tive intenção nenhuma de fazer com o que o jovem aceitasse o português, contudo, acredito que ele ficou com uma pulga atrás da orelha e percebeu que tudo tem um porquê. Nada de respostas, mas questionamentos importantíssimos!
O que ensinar, é questão secundária, mas como ensinar faz toda a diferença! E é nessa diferença que todos os educadores se encontram! É, são ossos do ofício: surpreender-se!

Esse texto foi produzido especialmente parao blog: http://www.eavisitacontinua.blogspot.com/ da minha querida educadora Beth Ziliotto.
Juliane Suemy Rega

10/04/2009

Terceira edição do Curso Mundo-Língua-Palavra





04 de abril, mais um encontro entre MLP e professores da rede pública de São Paulo para a realização da terceira edição do Curso Mundo-Língua-Palavra com o objetivo de ampliar os laços
museu&escola com a vivência de uma experiência significativa para atualizarmos o idiomaterno
como nosso melhor retrato.


A recepção dos professores na sala de aula do MLP



O auditório e a praça da língua: momento chave para sensibilização do público


A praça da fala do professor

A descoberta orientada no totem dos indígenas no Brasil hoje
A partilha da vivência, novamente na sala de aula, para o retorno à escola de origem onde serão trabalhados os futuros visitantes do MLP


Beth Ziliotto, Educadora e mediadora do Curso MLP
Fernanda Karina dos Santos, Educadora e autora das fotos do III Curso MLP





































































































































































































































07/04/2009

A língua nos une por caminhos diversos

Vamos fazer uma pequena reflexão no contexto de discussão sobre o acordo ortográfico e convidar os alunos a realizarmos um acordo ortográfico? Este exercício, realizado em grupo, traz a dimensão coletiva que a língua escrita busca representar, isto é, os diferentes países de língua portuguesa, com suas especificidades culturais podem criar uma escrita comum. Portanto, temos a construção de uma identidade “na escrita” com povos de costumes e hábitos diferentes. Desse modo, visualizamos as diferentes identidades: as que existem no campo da escrita e as que existem no campo da fala.


No Museu da Língua Portuguesa, podemos explorar:
Na árvore das palavras, as variações na escrita original e no uso atual, a flexibilidade da língua falada, nos seus ritmos e significados ao lermos as palavras que compõem a árvore; a flexibilidade da estrutura da língua escrita ao visualizarmos as mudanças na escrita da palavra.
Na grande galeria, aproximações na escrita e na fala: nos filmes: Relações Humanas: “presidentinho”, nas Festas: “bolo de fubá, aipim”... Em Culinária: "comedere, comere, comer".


Na linha do tempo, as diferentes formas de representação de uma língua: exemplos da família indo-européia, de textos na língua árabe, muçulmana, textos em galego-português, e os exemplos de internetês hoje.
Nos totens, continuidades e mudanças na escrita e no falar: conhecemos, por meio do que é familiar, o não familiar. Esta aproximação e estranhamento dada pelo som e grafia das palavras é uma relação de contraste que compõe a construção de toda identidade coletiva.
Nos totens, verso e reverso da palavra: aproximar-se das palavras dos diferentes povos não significa que compartilhamos os mesmos significados, é o que ocorre, por exemplo, com a palavra tchau, motel, baderna, etc.
O processo de assimilação das diferentes palavras oriundas de povos diversos acompanha de forma paralela a ação dos acordos ortográficos.
O contato com as variações linguísticas, os sotaques, os diferentes ritmos e entonação da língua no falar mostram que a escrita também pode ter o seu modo de dançar e se desenhar no papel. A diferença é que os sotaques acompanham fronteiras culturais e a escrita busca um diálogo com as fronteiras políticas de outras nações. Se uma das formas de se definir uma nação é pela língua falada, a escrita definirá uma comunidade maior, para além dos muros de um único Estado. Portanto, a língua falada traz a história das diferentes origens nacionais enquanto a escrita traz a história da construção de origens transnacionais em comum. Os acordos ortográficos estreitam os laços com o "outro” em meio às fronteiras das identidades culturais que nos separam.



Wilmihara Benevides da Silva A. Santos, Educadora do Museu da Língua Portuguesa, Mestre em Antropologia.

06/04/2009

Ação educativa no MLP



Ação educativa no MLP

Um dos principais atributos do educador em museus é a maleabilidade na construção de discursos em seu roteiro de visita. Para isso, nós como educadores devemos estar preparados para lidar com as possibilidades de abordagens numa visita monitorada, isso significa ter em vista diferentes pontos de partida para um diálogo construtivo. Como conhecer uma realidade? Qual palavra pode representá-la? Em que medida induzir a um determinado discurso? Como é possível a apropriação de uma determinada informação e a criação de conhecimento sobre dado assunto? Qual é o ponto de partida?
O educador propõe uma forma de dar existência a um tema, promove a sua visibilidade a partir de uma fala, nisto reside a importância da palavra como mediadora do mundo, particularmente, quando emitida do Museu da Língua Portuguesa, o qual coloca a serviço do público educadores com o objetivo de provocar uma experiência com a Língua Portuguesa. A escolha do que deve ser visto, discutido e apreendido como uma forma de conhecimento é de inteira responsabilidade do educador já que toda forma de conhecimento nasce de um ponto de vista. O método, portanto, torna-se a peça principal de reflexão na prática do educador. Por meio dele, o educador discute os pressupostos em torno da construção de um saber, os motivos que determinam uma forma de ver e entender um assunto e uma realidade.


Wilmihara Santos, Educadora do Museu da Língua Portuguesa, Mestre em Antropologia.